quarta-feira, junho 22, 2005

"Ela tem forma", disse a si mesmo, enquanto se afastava pelo jardim, "isso não se lhe pode negar; mas terá sentimento? Receio que não. De fato, ela se parece com a maioria dos artistas: é toda estilo, sem traço de sinceridade. Não se sacrificaria por outros. Só pensa em música, e todos sabem que as artes são egoístas. Ainda assim, deve-se admitir que sua voz tem bonitos timbres. Uma pena que nada signifiquem, ou não tenham utilidade."

"Que coisa triste o Amor", disse o Estudante, afastando-se. "Não tem sequer a metade da utilidade da Lógica, pois que nada prova, e está sempre soprando a alguém coisas que não vão acontecer, fazendo-o acreditar em falácias. Com efeito, o Amor peca por absoluta falta de utilidade. E como nesta época ser prático é tudo, volto à Filosofia e ao estudo da Metafísica"
Retornou ao quarto, pegou um grosso livro empoeirado e começou a ler.

Oscar Wilde, O Rouxinol e a Rosa (tradução de Hélio Pólvora, presenteado por Sissi).

Um comentário:

Anônimo disse...

Óia! Eu que mandei! :oD